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Hermafrodita diz que sua vida melhorou 99% após operação

O termo hermafrodita é aplicado para os seres que nascem com uma anormalidade biológica, ou seja, com características dos órgãos sexuais dos dois sexos e que possuem tecidos ovulares e testiculares ao mesmo tempo. Isto pode ocorrer durante a formação do feto em que acontece um erro de combinação de cromossomas, uma mutação do código genético ou ainda um desequilíbrio na dosagem hormonal. Sua incidência é de um em cada 25 mil nascimentos. Luciano da Silva Saldanha (24) nasceu com este nome, mas há quatro anos fez a operação similar à troca de sexo para transexuais, e passou a se denominar Luciana, ou simplesmente Lu, como é conhecida em Teutônia. É importante ressaltar que hermafrodita não é o mesmo que transexual, que é um homem que faz uma operação para virar mulher, como Ariadna, que recentemente participou do Big Brother Brasil. Por sinal não encontramos informações de que existam transexuais pela região.

Luciana, hoje com cabelos cumpridos, unhas pintadas e usando brincos muitas vezes passa pelas pessoas sem que percebam que ela não é mulher de formação. Mas nem sempre foi assim. “No meu crescimento eles me classificaram como homem, meu pai queria muito ter um homem, mas meus hormônicos não eram masculinos”, relata. A identificação como mulher veio apenas na adolescência. “Com 16 anos que eu comecei a trabalhar e passei a comprar minhas roupas de mulher”, comenta. Lembra das dificuldades que passava na infância. “As pessoas te deixam de canto. Os rapazes humilhavam muito. As piadinhas que eles atiram magoam muito. Pra ti encarar uma situação destas é complicado. Não é pra qualquer pessoa”, frisa ela que afirma jamais ter tentado ser homem. O relacionamento com o pai também evoluiu. “Ele frequentou psicólogas, hoje é prefeito mesmo, moro com ele, sou muito feliz”, ressalta ela, que diz jamais ter passado dificuldades em encontrar emprego.


OPERAÇÃO PARA MUDANÇA DE SEXO

A possibilidade do transexual, assim como do hermafrodita fazer a cirurgia de mudança, ou adaptação de sexo tem sido reconhecida desde 2007, quando a Justiça Federal obrigou também o Sistema Único de Saúde (SUS) a custear essas operações em todo o país. Foi permitido também que o transexual e o hermafrodita alterem o seu nome no seu registro civil.

Luciana explica o tratamento em Porto Alegre até a operação. “Eu tive que fazer tratamento com os transsexuais e ir dois anos em psicólogo”, conta. Fala da operação. “Era uma vagina normal fechada e onde era o clitóris da mulher era um tiquinho do tamanho de um dedo. Ela foi aberta, feito os lábios, canal da uretra, da urina. Não posso ter filho mas tinha útero e optei por tirar porque tinha medo que fosse acontecer o mesmo que aconteceu comigo”, segundo os médicos lhe explicaram.
Antes da operação urinava pelo seu pênis e o hermafrodita diz que nunca chegou a ter ereção. Afirma nunca ter tido relacionamento com mulheres e ter tomado hormônios femininos para formar seu corpo. Lu conta que seu primeiro beijo foi mais tarde que o normal. “Foi com uns 21 anos”, cita.
Fala de dificuldades que enfrentou em festas. “Tu está com um carinha no baile e vão lá cochichar que eu era homem e o cara cai fora. Já me aconteceu várias vezes isso”, lastima. Porém nunca teve cobranças de pessoas com quem já havia ficado.

Hoje ela tem um relacionamento com um homem há mais de três meses. Luciana explica como é a relação sexual. “Não imaginava que ia ser tão bom. É perfeita”, afirma ela, dizendo que também consegue chegar ao orgasmo. O namorado aceitou a situação de maneira natural. “Ele falou que não era pra eu julgar como um problema, que é algo genético, que eu não tenho culpa”, destaca.
Ela responde quanto a sua vida melhorou após a operação. “99%, é muito bom. É uma mudança maravilhosa. Valeu a pena os meus 13 dias no hospital”, diz ela que afirma que mesmo que se tivesse que pagar, teria feito a operação.

  
Luciana foi criada como menino, mas hoje vive como mulher e tem até namorado


FESTAS

Luciana relatou há pouco algumas dificuldades que encontrava em festas. Foi pensando em acabar com este tipo de situação e proporcionar uma diversão sem preconceitos para o grupo de gays que foi criada a UP.

O proprietário da UP Festas, Ruben Quintana Filho (35 anos) realiza eventos há 10 anos, sendo que desde 2009 em todos os fins de semana. Atualmente as festas são feitas em Santa Cruz - onde começaram - Lajeado, Santa Maria e Porto Alegre. Devido às solicitações, devem expandir, em breve para outras regiões do Estado, como as Missões. Segundo Quintana a média de público em Santa Cruz, onde tem festa toda a semana, é de 300 pessoas. Quando o evento é fora de Santa Cruz a média sobe para 500 pessoas.

E esse foi o público registrado em Lajeado no fim de agosto, quando a UP esteve na boate Magic. Fui até o local para ver de perto como é uma festa LGBTTIS (sigla mais completa em uso pelos movimentos homossexuais, que significa: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais, Travestis e Simpatizantes), até pouco tempo denominada GLS, e confesso que esperava algo um pouco diferente. As músicas que tocavam eram as mesmas de boates normais, assim como o comportamento do público não era extravagante. As pessoas vestiam roupas normais e a única diferença de uma boate tradicional é que você vê homem beijando homem e mulher com mulher, sem qualquer preocupação com o que as demais pessoas irão pensar.

  
  Festas da UP ocorrem em Santa Cruz, Lajeado, Santa Maria e Porto Alegre

Lá conversei com Ruben Quintana, que é homossexual e que explicou o surgimento da ideia de fazer uma festa específica para gays. “A gente tinha a vontade de frequentar lugares que não eram guetos, casas de prostituição, ou de baixo nível. A gente queria uma festa normal”, salienta. Ele lembra das primeiras festas. “Tinha fatos engraçados como pessoas que deixavam o carro a algumas quadras e iam a pé até o lugar do evento. Taxistas não atendiam chamadas da festa”, lembra. Responde se ainda existe preconceito. “Ainda existe muito preconceito. Tem gente que acha que lá é um lugar de prostituição. Tem preconceito inclusive dentro dos próprios gays, que acham que vão ficar tachados na sociedade, vão ser reconhecidos”, conta. Fala sobre a população gay da região. “Eu acredito que uma população em torno de 10% que seria a população homossexual da região” Esses 10% seriam 34 mil pessoas, ante às 340 mil conforme recente levantamento do IBGE. Ruben Quintana comenta que muitas pessoas são enrustidas. “Eu acredito que deva estar em torno de 50%”, estima.

  
 Ruben Quintana, criador da bote UP e da ONG Desafios

Conseguimos conversar com algumas pessoas que estavam na festa, que não têm medo de se assumir. Uma delas foi o Mister Top UP Flávio Trindade, 22 anos, natural de Santa Maria. Ele ganhou o concurso de Mister Diversidade Santa Cruz deste ano e está representando a UP em 2011. Em setembro ele concorreu com outros 26 candidatos ao Mister Diversidade RS onde ficou em segundo lugar. Agora vai participar de outros dois concursos em nível nacional e internacional. Pelo fato de seu namorado ser da região, ele mora em Estrela há cinco meses.

Flávio fala o que representa estas festas para os gays. “Aqui dentro a gente pode se expressar livremente. Não tenho preocupação se eu vou beijar outro cara, se eu vou abraçar. A gente pode demostrar o que a gente realmente é”, destaca. Pergunto se existem poucas festas com estas características. “Tem poucas festas sim. É importante fazer o que a UP faz”, salienta. Ele compara Santa Maria com o Vale. “Lá é uma cidade universitária, então o público já está mais liberal, agora que está começando a chegar nessa região aqui”, diz ele ao assumir que sente falta de sair de mãos dadas com seu namorado pelas ruas.

 
Flávio: “A gente pode demonstrar o que realmente é”
 

Também conversamos com Vagner de Oliveira (22), natural de Marques de Souza, morador de Pouso Novo. Ele já morou em Lajeado e hoje é Mister Diversidade Lajeado, onde concorreu com mais três pessoas. Vágner diz como vê Lajeado em relação à homossexualidade. “É uma cidade que ainda está abrindo campo, porque está um pouco fechada pra isso”, ressalta. Mesmo sendo gay, no ano passado foi 3º colocado no Mister Hétero do Rio Grande do Sul. Ele responde se a maioria que concorre a Mister Hétero é homem ou gay. “Eu me lembro que tinha 12 candidatos, e nove a gente tinha certeza que eram gays. Aquele homem machão, é difícil de gostar dessa parte de concurso de beleza”, reforça. O jovem fala da importância das festas GLS para os homossexuais. “É o momento dessas pessoa virem aqui se divertirem e se sentirem realmente em casa.” Ele sugere uma casa GLS em Lajeado. “Eu fico admirado que Lajeado tem várias boates e nunca pensaram em colocar uma boate GLS definitiva. Daria muito certo. Lajeado pega uma região de 40 municípios e em todas estas cidades tem gays”, afirma. Vágner estima que a maioria das pessoas presentes nesta festa não eram assumidas. “Hoje, aqui, a grande maioria são pessoas não assumidas pro público e pra família. Eu acho que uns 60%”, acredita ele.

  
  Vágner acredita que 60% das pessoas que estavam na festa não são assumidas

Além daqueles que querem se divertir, conversamos com quem trabalha nessas festas, como o DJ, Leandro D'Avila (40), de Porto Alegre, que trabalha a metade da sua vida animando festas, já tendo tocado em várias casas do Rio Grande do Sul e de pelo menos outros cinco estados brasileiros. Ele fala da diferença em tocar em festa de heterossexuais e de homossexuais. “Tem bastante diferença porque o povo GLS é muito mais receptor. O hétero é de modinha, o gay não” compara. O DJ responde se é mais fácil tocar para gays. “Sim porque o povo hétero é meio bitolado em determinado estilo de música. O gay absorve mais rápido o que está a frente. O calor do público gay é muito mais receptivo”, ressalta.

  
DJ Leandro: “O calor do público gay é muito mais receptivo”

Já o segurança Adaílton de Oliveira dos Santos (31), de Santa Cruz do Sul, que trabalha na área há três anos, fala das diferenças que percebe em festas homossexuais. “Essas festas é até mais fácil de trabalhar, não tem stress”, diz ele, que nunca teve que apartar briga em festas GLS. Quando começou a atuar na área não pensava em trabalhar nessas festas. “Jamais né, fazer o que? É serviço. Pra mim é normal, até mais fácil que cuidar do que as outras”, cita.

Voltamos a falar do idealizador da festa, Ruben Quintana, porque ele queria mais. Em julho deste ano Quintana idealizou um sonho de anos e criou a Organização Não Governamental Desafios. Ele explica o surgimento da ONG, que tem sede em Santa Cruz do Sul e que atende pessoas dos Vales do Rio Pardo e do Taquari. “As pessoas chegavam pra gente na UP e relatavam fatos do cotidiano delas. Problemas no emprego, com preconceito, na família, um assalto na rua, perseguição. E ali começou a nascer a ideia de que a gente tinha que fazer alguma coisa pra atender estas pessoas”, destaca. Relata o que a ONG tem feito pelos direitos dos gays. “Temos trabalhado muito na questão do diálogo com a sociedade, fora isso a gente tem feito projetos, e um projeto futuro é fazer um seminário de âmbito regional”, projeta. Quintana aborda como está a região em relação ao Brasil. “É uma região bastante pacifista, onde não temos dados de violência muito grade. É um preconceito mais velado”, fala. E deixa claro que na ONG não existe distinção entre gays, transexuais, bissexuais, lésbicas, etc. “A gente não faz esta distinção, é um debate complicado. Se a pessoa está tendo relação homossexuais a gente está agregando dentro da ONG”, observa.

A ONG Desafios conta com o cadastro de 50 pessoas de Lajeado, Cachoeira, Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul.

Amanhã, no último capítulo, vamos saber mais sobre os bissexuais e aprofundar os pensamentos da igreja e da psiquiatria sobre a homossexualidade.

COMENTÁRIOS
Nome: (Anônimo)
Data: 10/08/2012 às 13:28
Cidade: conselheiro lafaiete mg
Recado: interessante,muita gente não leva a serio ,mas isso é serio,porque minha irmã está passando pela mesma situaçao,a sua filha de apenas 6 anos também nasceu com dois sexos,ela tem utero ,ovario ,toda feminima,desde que nasceu está uma batalha para fazer a cirurgia no hospital das clinicas de belo horizonte mg,mas até hoje não chamaram para fazer a cirurgia!quem sabe algum medico se interessa pelo caso e nos ajuda porque minha irmã ja esta desesperada!pagar nem sabemos o valor e não temos c0ndiçes estamos aguardando o sus há 6 anos!obrigada
 
Nome: Caedmods
Data: 27/06/2013 às 12:13
Cidade: Recife
Recado: Essa cirurgia deve ser feita quando a criança se decidir sobre sua sexualidade. Se a cirurgia a transformar num menino, pode ser que a criança na verdade tendesse a ser mulher, e vice-versa. Já houve casos de cirurgias de hermafroditas nas quais a escolha do sexo não teve a vontade da criança, o que mais tarde resultou em suicídio.
 
 
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